segunda-feira, 29 de junho de 2009

G8: Itália suspende acordos de Schengen

28-Jun-2009
A cimeira do G8 terá lugar no quartel da academia de polícia de AquilaO governo italiano anunciou a reposição dos controlos fronteiriços e a suspensão dos acordos de livre circulação de pessoas até dia 15 de Julho. Berlusconi quer impedir a entrada de manifestantes estrangeiros para a cimeira do G8, repetindo o que fez em 2001 na cimeira de Génova.


Desta vez, a cimeira do G8 decorre entre os dias 8 a 10 de Julho na cidade atingida pelo terramoto no início de Abril, que provocou 300 mortos. Berlusconi transferiu o local da reunião, inicialmente prevista para a Sardenha. Apesar dos receios sobre as condições oferecidas pela localidade para acolher os chefes dos Estados mais poderosos do mundo, o governo italiano garantiu que o quartel da academia de polícia estará preparado para a cimeira.

A polémica estalou igualmente quando Berlusconi afirmou não acreditar "que os antiglobalistas tenham coragem de organizar manifestações violentas nesta região afectada pelo terramoto". O conselho regional da Refundação Comunista respondeu ao primeiro-ministro italiano, dizendo que "os antiglobalistas chegaram à zona do desastre ao mesmo tempo que a Guarda Civil, e em muitos sítios chegaram antes", referindo-se às centenas de voluntários dos centros sociais, ONG's e da própria Refundação que organizaram a assistência aos desalojados. A cantina do campo de refugiados de San Bagio foi mesmo baptizada logo no primeiro dia de "cantina Carlo Giuliani", em homenagem ao activista morto pela polícia na cimeira de Génova em 2001.

Nos últimos meses, as reuniões sectoriais de ministros dos países do G8 sobre ambiente e agricultura, universidade e economia têm contado com a oposição de grupos ligados à esquerda política e centros sociais. Nas manifestações e acções de protesto, os organizadores alertaram para a construção de um clima mediático alarmista que parte do governo de Berlusconi, identificando os grupos antiglobalização como terroristas, à semelhança do que sucedeu em Génova e que serviu de justificação para a repressão e infiltração policial nos grupos de activistas.

A justiça italiana demorou sete anos para julgar os crimes cometidos em Génova, acabando por condenar treze polícias e guardas prisionais, junto com dois médicos por maus-tratos a pessoas detidas nas manifestações e levadas para um centro de detenção. Outros treze polícias acabaram condenados pelo raide policial ao centro de comunicações que funcionava numa escola em Génova, que provocou dezenas de ferido. Nenhum dos condenados cumpriu pena de prisão e muitos dos polícias acusados, entre os quais os oficiais superiores, foram absolvidos pelo tribunal, apesar do próprio responsável da polícia de Génova ter admitido que "plantou" os cocktails molotov para incriminar os activistas e justificar o assalto à escola. Pietro Troiani admitiu igualmente que o esfaqueamento de um polícia, que foi repetidamente transmitido pelos media, foi afinal uma simulação.

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